Deixar seu filho sem videogame não tem efeito como castigo. Veja 4 alternativas. 

Estudos comprovam que o castigo só ensina a criança como desenvolver técnicas de  resistência e desobediência planejada. Quanto mais você castiga, mais seu filho se especializa em deixar você nervoso e frustrado.

Quando recebe o castigo de ficar alguns dias sem o celular ou sem usar o videogame, a criança aprende a sentir-se bem após o castigo, livre de qualquer culpa, já que pagou pelo que fez ao cumprir a punição imposta pelos pais. A mensagem para o cérebro é: fiz algo errado, mas já cumpri minha pena por isso, logo, estamos quites! 

Temos algumas dicas para você usar ao invés do castigo e ver aos poucos seu filho deixar o comportamento inoportuno ou agressivo de lado.

1 – Peça ajuda da criança

Grande parte das birras e mau comportamento nascem da necessidade de chamar a atenção dos pais. Quando você pede que seu filho ajude você em alguma atividade,  o sentimento de “ser importante” torna-se dominante e você já terá ao seu lado um aliado, não alguém competindo por sua atenção.

Ao invés de:

“Desce dessa cadeira!” ou “Você vai ver só depois que eu tirar a compra do carro!”

Você pode dizer:

“Filho, você pode me ajudar a tirar as compras do carro? Leva essa sacola, por favor.” (se for pequeno, já deixe algumas sacolas com coisas leves, tipo, guardanapo, papel higiênico,).

2 – Tome uma atitude enquanto passa uma informação. Não faça nenhum outro comentário.

Seu filho está com a faca na mão, batendo no prato ou no copo. Ao invés de ficar repetindo para largar a faca ou fazer ameaças do tipo: “você vai se cortar“ ou “se quebrar o copo você vai ver comigo…”, você simplesmente se aproxima dele, pega a faca e coloca em outro local – longe do alcance dele – olha para ele e diz “faca não é brinquedo”. 

Simples assim. Nem mais um comentário sobre o assunto.

3 – Caso seu filho seja aquela criança que imediatamente pede desculpa quando percebe que você desaprovou o comportamento que ele teve, você não deve simplesmente se derreter de emoção e esquecer o assunto. Se fizer isso, a mensagem para ele será: “posso fazer qualquer coisa, basta pedir desculpa rapidinho quando meu meu comportamento não tiver sido adequado”.

Nesse caso, você precisa aproveitar o momento para que ele se comprometa com um comportamento diferente da próxima vez. Por exemplo:

. “Se você está pedindo desculpa, é porque entende que fez algo errado e vai mudar. Você pode me explicar como vai agir da próxima vez?”

. Fico feliz em ouvir você pedindo desculpa. Esse é só o primeiro passo. Agora você me diz o que pode fazer da próxima vez em que ficar bravo/triste.”

4 – Divida com ele o problema. Encontrem juntos a melhor solução.

Essa técnica funciona muito bem com crianças a partir de 9-10 anos, que geralmente apresentam um tipo de comportamento que se repete, apesar de castigos e constantes conversas ou até súplica dos pais para que o comportamento mude.

Seu filho deixa as roupas que acaba de tirar espalhadas pelo quarto, ao invés de colocar no cesto de roupas para lavar.

Ao invés de repetir que ele é desleixado, que não ajuda, que é folgado, você senta com ele e diz:

Como podemos resolver esse assunto da sua roupa suja que fica sempre espalhada pelo quarto? Vamos fazer uma lista de sugestões de como resolver isso e depois escolhemos juntos a melhor opção.

Com lápis e papel na mão, faça mesmo a lista, escrevendo uma sugestão sua e uma dele de cada vez. Nunca coloque várias sugestões suas na sequência.

Escreva toda e qualquer sugestão que ele der. Não importa se é factível ou pareça maluca. Agora é hora de fazer a lista, não de julgar se a ideia é boa ou não. Seu filho vai sentir que você o ouve e respeita se escrever todas as opções dele. Isso o prepara para realmente fazer o que vocês escolherem como melhor opção depois.

Assim que tiver pelo menos três ideias de cada um, diga que agora cada um de vocês escolhe, na lista, uma alternativa que pareça a mais viável.

Caso vocês dois escolham alternativas diferentes, resta definir qual será a aplicada. Nesse ponto, se você conseguiu mostrar para ele que está levando a sério o que ele fala e respeitando as ideias dele, dificilmente ele escolherá uma alternativa absurda. Vai querer mostrar para você que merece o respeito que você está tendo com ele. Porém, se ele insistir com uma solução que não faz sentido, do tipo “deixar as roupas no chão mesmo”, você pode concordar que essa é a solução e que você estará aberta a rever a lista e tentar outra opção quando ele sinalizar que experimentou e não achou que funcionou a que ficou definida. Nesse caso, você não pode recolher a roupa e nem deixar que outra pessoa o faça. Ele tem que ser o primeiro a sentir as consequências da decisão tomada. As  chances são mínimas de isso acontecer.

Lembre-se de que você pode não aceitar a opção que ele escolheu, mas tem que ouvir o porquê da escolha dele, respeitando os sentimentos que ele descrever.

Tendo experimentado a sensação da responsabilidade em resolver um problema que passou a ser dele e não seu somente, seu filho passa a respeitar você e a ter o desejo de demonstrar que merece sua atenção e credibilidade que você deu a ele.

O efeito será útil para o resto da vida, ao contrário do castigo, que gera frustração e o coloca para pensar como vai se vingar na próxima oportunidade que tiver para tirar você do sério.

Veda, trolagem, tbt: você conhece a língua que seu filho está falando?

Muito se tem falado sobre como a tecnologia aproxima quem está longe e distancia ou isola as pessoas em relação à própria família, especialmente os jovens.

A verdade é que a tecnologia por si só não faz bem nem mal. O grande desafio é manter seu uso em nível que não prejudique as relações sociais, principalmente dentro da própria família.

Muitos pais estabelecem horários ou tempo de acesso á Internet, tentando garantir que os filhos mantenham uma rotina equilibrada e incluam outras atividades no dia a dia. Ainda assim, na maioria das vezes, os jovens vivem a relação com a tecnologia como se fosse um mundo à parte, cuja linguagem e vocabulário os pais desconhecem.

Nossa dica para ajudar na aproximação com os filhos e aprender um pouco mais sobre o que eles gostam, de quem gostam e o porquê gostam é se aproximar deles também pelo vocabulário que usam.

Além de enriquecer seu vocabulário, você vai descobrir que há sim muita coisa legal rolando na internet. Mais que isso, vai poder aprender com seu filho e abrir caminho para conversas que sejam de interesse dele.

Quem sabe ao longo desse percurso vocês acabem descobrindo que há muito mais semelhança entre vocês do que imaginavam? Quem sabe as diferenças sirvam somente para enriquecer a relação entre pais e filhos?

Derrubar a barreira da língua, deixando qualquer preconceito de lado pode ser um excelente caminho para garantir uma relação mais saudável e positiva com os estudos também. 

Um filho seguro, que sente a admiração dos pais por ele, aprende melhor e enfrenta os desafios do dia a dia de forma mais tranquila e sem medo de errar.

Hoje, 1 de agosto, às 20:00 horas, estará disponível em nosso canal do YouTube o vídeo que explica o que é VEDA e o porquê de nossa decisão em fazer este mês especial de vídeos para você!

 

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4 dicas para medir se o filho está ficando tempo demais no celular

 

Volta às aulas com 8 dicas para a hora da tarefa

A hora da tarefa ou lição de casa envolve muito mais do que ter entendido o que a professora ensinou na sala de aula. A hora da tarefa envolve também disciplina, responsabilidade, concentração e motivação. Essas competências são melhor desenvolvidas quando os pais estão envolvidos. Se você conseguir ajudar com o desafio desse desenvolvimento, não precisará se preocupar com o conteúdo da tarefa. Seu filho saberá o que fazer e como agir quando não conseguir fazer uma atividade da lição de casa. 

Preparamos 8 dicas para esse momento, que normalmente é o maior causador de estresse dentro das famílias:

1. Determine, junto com seu filho, um lugar e um horário fixo para ele fazer a tarefa todos os dias. A rotina é essencial para criar o hábito e tem papel fundamental na concentração. Vale mais a regra de sempre fazer a tarefa no mesmo horário do que qualquer regra que você leia por aí sobre o horário em si. Se para seu filho o melhor é fazer a tarefa de manhã, ok! Se ele prefere de tarde, sem problemas também! O que conta é a rotina de sempre manter o mesmo horário.

2.Televisão, celular e computador desligados. Esses aparelhos tumultuam a memória de curto prazo. É importante que ela esteja com espaço disponível para que o aprendizado ocorra.

3. No caso de tarefas que exijam pesquisa na internet, ela deve ser feita no começo e depois o computador deve ser desligado até que seu filho acabe todas as outras atividades. Para que ele entenda, faça uma analogia com um livro que ele usa para pesquisar um assunto. Terminada a pesquisa, aquele livro é fechado e guardado. O mesmo deve ocorrer com o computador: ele é um recurso que tem papel específico durante a tarefa.

4. Ajude seu filho a se organizar tanto no espaço físico quanto no tempo. Uma mesa desorganizada gera ansiedade e atrapalha a concentração. Se no começo você reservar um tempo para ajudá-lo, logo vira uma rotina e ele aprende a se organizar sozinho.

5.Ajude-o a começar sempre pela tarefa mais difícil ou pela matéria que gosta menos. Quando chegar no final e já estiver mais cansado,  restará o prazer em  fazer a tarefa mais fácil ou da matéria que ele mais gosta.

6. Dê o exemplo: separe alguma atividade que você precise fazer que também exija concentração. Pode ser ler um livro, uma revista ou trabalho a terminar. Faça enquanto seu filho estiver fazendo a tarefa. 

7.Elogie SEMPRE! Nada de frases do tipo “ele não faz mais que a obrigação”. Por mais que você acredite nela, aproveite o momento do estudo para ajudar seu filho a melhorar a auto estima:  mostre que você acredita que ele é capaz e que se orgulha dele.

8. Ensine seu filho a fazer pausas de tempos em tempos. Os intervalos são importantes para oxigenar o cérebro e para permitir um melhor rendimento. Um timer/cronômetro pode ser um bom aliado para ajudar seu filho a controlar estas pausas. A dica de ouro é: a cada 30 minutos concentrado na tarefa, 5 minutos de intervalo com algum movimento. 

Acredite, o tempo que vocês dedicarem para estabelecer uma nova rotina será totalmente recompensado com paz dentro de casa e desempenho escolar em nível sempre sonhado! E que venha um ótimo segundo semestre para todos!! 

“Eu não falei que ia acabar mal?” – o impacto desta frase no cérebro dos filhos

Você consegue lembrar quantas vezes já usou essa expressão com seus filhos? 

Estudos sobre o funcionamento do cérebro mostram que, mesmo quando temos que tomar uma decisão muito simples, do tipo escolher um suco no cardápio, inconscientemente colocamos um valor – como uma nota – para cada opção. Para chegar a essa nota para cada escolha disponível, usamos recursos armazenados em nossa memória de longo prazo. O cérebro rapidamente faz uma busca por experiências anteriores semelhantes para que possa tomar a decisão.

O dado mais surpreendente porém, vem a seguir: a decisão é tomada a partir da lembrança de que escolha, no passado, teve uma recompensa emocionalmente positiva.

Mas o que isso quer dizer?

Nós, pais, temos total influência não somente na auto estima que nossos filhos apresentam enquanto crianças.

Toda vez que criticamos uma escolha feita por uma criança ou adolescente, colocando o foco na pessoa que ele é ao invés de ajudá-lo a entender o que deu errado na ação que tomou, fica o registro de uma experiência mal sucedida em sua memória de longo prazo.

Isso significa que não podemos discordar ou dizer que algo está errado? Muito pelo contrário! Cabe sim aos pais esse papel. A forma é que faz toda a diferença para que o registro no cérebro seja de uma experiência positiva.

Um exemplo do dia a dia de quem tem criança em casa:

Mãe – Come com a colher. Você vai derrubar essa comida na sua roupa.

Filho – Quero comer com o garfo, igual você! (enquanto começa a comer)

Segundos depois…

Filho aos prantos, pois derrubou comida na mesa e na roupa.

Mãe –   Eu não falei que ia derrubar? E agora? (muitas vezes em tom agressivo, voz alta e um longo discurso sobre como o filho é teimoso, desobediente, descuidado e mais e mais adjetivos sobre “quem ele é”).

Sim, o estresse e a correria do dia a dia têm alta participação nisso. Contudo, muito mais do que a vida moderna, o grande responsável por essa maneira de agir é simplesmente o hábito.

Podemos quebrar esse círculo vicioso de sempre acertar que não vai acabar bem. Às vezes me pergunto se nós mães não nos sentimos tão poderosas por prever situações desse tipo que acabamos não procurando uma maneira de evitar que o final seja o previsto.

Afinal, se prevíamos que não ia dar certo, porque não fizemos uma intervenção que pudesse ajudar a evitar o final trágico?

Usando o mesmo exemplo, mas dessa vez evitando o registro de uma experiência que gerou memória emocional negativa.

Mãe – Come com a colher. Você vai derrubar essa comida na sua roupa.

Filho – Quero comer com o garfo, igual você! (enquanto começa a comer)

Mãe levanta, pega um guardanapo e coloca no colo do filho, explicando que assim não tem problema se cair um pouquinho de comida, pois isso pode acontecer.

Segundos depois…

Filho – Olha, mãe, derrubei só um pouquinho!

Mãe –  Parabéns! Sempre que quiser comer com garfo, você coloca o guardanapo no colo. Logo você estará craque e não vai mais derrubar nada!

Simples assim! Essa criança se tornará um adolescente mais seguro e um adulto mais feliz. Ainda que suas escolhas acabem por se provarem inadequadas, o registro emocional negativo não existe. E assim se forma o círculo virtuoso de uma pessoa que escolhe melhor porque não tem medo das consequências!