Provavelmente você disse. Pode ser que tenha ouvido de uma outra mãe e até se divertido junto com ela e a criança naquele momento.

shutterstock_96216545.jpgVamos pensar aqui sobre o quanto isso tem impactado nossas crianças e tornado a rotina escolar um tormento para os alunos, professores e para a coordenação da escola.
Sem contar que o mais prejudicado vai ser mesmo o menino (ou menina). De tanto ouvir “como é terrível!” acaba por assimilar seu comportamento como a forma ideal para chamar a atenção de todos ao redor.

Assim vai crescendo, aprendendo sobre si próprio de acordo com o retorno que recebe dentro de casa. E o “terrível” acaba por parecer sua maior qualidade. A forma como ele se identifica.

Presenciei nos últimos dias algumas cenas que me deixaram arrasada. Crianças que não sabem como se comportar enquanto alunos. Pior, nem mesmo enquanto colegas de classe ou, que seja, enquanto criança!

Mãe, pai, vocês já pararam para pensar que seu filho precisa aprender a assumir papéis diferentes para crescer? Que a convivência em grupo e respeito aos colegas e às autoridades precisam ser ensinados em casa?

E a partir de qual idade, alguns podem estar pensando. A partir do nascimento. Sim, nossos filhos aprendem desde o dia em que nascem. Até por volta dos 5-6 anos de idade, o cérebro de nossas crianças é uma esponja: absorve tudo, absolutamente tudo aquilo que faz parte do seu dia a dia.

Os pais admiram a habilidade dos filhos, ainda bem pequenos, para lidar com a tecnologia, para pedir o que desejam, para contestar o que não querem. Esses mesmos pais, porém, acabam por achar que seus filhos são pequenos demais para entender limites e regras.
E assim vão criando filhos despreparados para conviver em sociedade. Uma pena! A criança vai desperdiçar tempo, esforço e energia que seriam necessários nos momentos de estudo, na escola e em casa.

A dica é: comece a se policiar e mude palavras e atitudes que parecem engraçadas no curto prazo, mas que prejudicam seu filho ao longo do tempo.  Elimine do seu piloto automático o texto: “ah, ele/a é terrível mesmo!”.
A melhor maneira para conseguir isso é não deixando que ele faça coisas que justifiquem essa terrível afirmação sobre seu filho!
O desafio é sair do círculo vicioso: ele apronta, você o qualifica como “terrível”. Ele ouve que é terrível e para corresponder, apronta!

Pare de usar a palavra “não” quando não for sustentá-la. Ou use de fato, simples como ela é, sem aumentar o tom de voz, sem lamentar, sem demonstrar pena de uma criança que implora por limites que você não dá.

E o ponto mais importante: não ensine seu filho a justificar o porquê ele não vai se comportar como um ser sociável. Pare de dar ferramentas para que ele justifique o comportamento inadequado.

Sem o mínimo de esforço e concentração, o baixo desempenho na escola será a única certeza. Sem estudo, o futuro do seu filho estará fadado ao fracasso. Nossas crianças merecem mais que isso de nós. Somos nós, os adultos, os responsáveis por ensiná-los habilidades como: paciência, resiliência, empatia, esforço, concentração.

A professora do seu filho não vai conseguir que ele aprenda o conteúdo acadêmico se você, responsável, não construir o alicerce necessário para isso.

Precisa de ajuda? Procure! Tem pouco tempo? Aproveite melhor os momentos com seus filhos! Mas não siga no piloto automático. Seu filho merece uma pausa no seu tempo para repensar a educação que está dando a ele!

E agora, o diálogo que gerou este texto. A gota d’água depois de tantas cenas tristes que temos presenciado.

O cenário é a diretoria de uma escola. A diretora e a coordenadora tentavam fazer uma reunião comigo para fechar uma série de palestras. Durante 30 minutos foram três alunos diferentes levados à diretoria porque não estavam se comportando na sala de aula. Eis o caso mais estarrecedor: um menino com 7 anos de idade, quase arrastado para dentro da sala, tentando escapar da professora, batendo em todos que tentavam falar com ele.
Assim que a diretora fechou a porta e a professora se foi, tento puxar conversa para acalmá-lo. Imediatamente ele responde, sem a agressividade física inicial.

“Oi, como é seu nome?
André (o nome é outro…mas prefiro evitar a exposição da criança aqui)
E o que você me conta de legal hein, André?
Olha, sabe o que é? Estou muito agitado hoje. Vou contar para vocês três porque estou agitado assim. (pasmem, exatamente assim a fala do menino. Imediatamente pensei: parabéns para os pais dessa criança: plural perfeito, comunicativo, fala coerente. Mas, “peraí”, ele vai nos explicar porque está agitado assim? Essa fala é claramente retirada do que ele ouve de um adulto!)
Então tá. Pode contar para nós o que aconteceu que eu quero muito saber.
É que…. (ele para, pensa por alguns segundos e lá vem…) é que eu tenho um segredo. Um segredo muito secreto mesmo. Eu vou contar aqui para vocês, mas vocês três têm que prometer que não vão contar para ninguém.
Sim, prometemos, certo meninas? Todas acenam que sim.
Tá. Vou contar então: eu sou um agente secreto. Ninguém pode saber disso. Tenho alguns superpoderes. Assim que eu estalar meus dedos (faz o gesto) vocês vão se esquecer de tudo o que aconteceu nessa sala. Nem meu nome vão se lembrar para contar para meus pais.”

Um menino muito comunicativo. Sem dúvida, tem facilidade para aprender, como podemos notar no uso perfeito do plural, concordância e na linguagem oral bem articulada. Parabéns aos pais por isso.

O que pode atrapalhar seu desenvolvimento? A falta de respeito pelo outro. O total desconhecimento da linha que separa o direito do dever. A justificativa de atitudes incoerentes com o “sou agitado mesmo”.  Uma pena para a criança.

A escola sozinha não tem como resolver isso. Assim como o exemplo da linguagem correta, da comunicação fluente, a família precisa ajudar essa criança a desenvolver capacidade de concentração, foco e empatia. São ferramentas essenciais para que possa estudar e aprender.

O primeiro passo: a criança precisa saber que outros adjetivos a qualificam, além do “terrível”! Prontos para educar um filho que não seja somente agitado e terrível?

“Gente, esse menino é terrível!” Já disse ou ouviu isso antes?

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