Se você ainda não ouviu falar sobre a série “13 Reasons Why”, do Netflix, contamos um pouco sobre ela no post anterior, confira aqui: Sobre a série “13Reasos Why”

1- Seja o exemplo de comportamentos que deseja ver em seu filho. Olhe para ele quando estiver conversando. Dedique total atenção às conversas entre o casal responsável pelos filhos, deixando qualquer outra atividade de lado nos momentos de interação em família. Não responda seu filho sempre com frases curtas. Deixe de lado qualquer outra atividade que possa distrair sua atenção mesmo durante as conversas mais triviais. Isso passa segurança e reforça os laços de confiança, além de ser uma mensagem real e firme de que você se importa com o que seu filho diz, pensa, deseja.

2- Ajude seu filho a encontrar opções de relacionamentos, alegrias, auto realização e diversão também fora da tecnologia ou da Internet. A dica para fazer isso é parar de pedir que saia do computador ou deixe o celular de lado. Ao invés disso, envolva seu filho em atividades do dia a dia que vão exigir atenção total. Alguns exemplos são: fazer as compras do supermercado, recolher a roupa do varal, guardar as compras no armário ou mesmo ajudar você em algo relacionado ao seu trabalho. Terminada a atividade, elogie o esforço e agradeça a ajuda!

3- Ensine seu filho a lidar com frustrações desde criança. Grande parte dos problemas entre os adolescentes da série – e da vida real – tem sua base na baixa capacidade de lidar com a frustração.

Uma forma de fazer isso desde cedo é não dar brinquedos e presentes em troca de comportamentos esperados. Outra maneira para ajudar a lidar com a frustração é aproveitar finais de semana para jogar em família. Jogos de tabuleiro, baralho, dominó são ótimas ferramentas para o desenvolvimento de capacidade de foco, concentração e para aprender a lidar com a frustração. Como nos jogos estão envolvidos elementos sobre os quais não há como ter total controle, como a sorte ou uma habilidade maior de outro jogador em determinado momento, a frustração pode ser explorada em ambiente seguro, dentro de casa e entre pessoas com envolvimento emocional positivo.

4- Você não precisa e nem deveria sempre ser o “amigão” que faz tudo da forma como seu filho adolescente acha melhor. Assuma o papel de responsável e seja firme quando houver regras da casa que precisam ser seguidas ou quando souber que está contrariando seu filho para guiar suas ações para um melhor resultado para ele próprio. A melhor maneira para fazer isso é deixar que seu filho faça escolhas, porém, dentro de opções que você passar. Por exemplo, ele pode escolher entre fazer a tarefa da escola antes ou depois de sua atividade física (judô, natação, balé). Isso elimina a possibilidade de estudar já tarde da noite, em horário que precisaria estar dormindo. Se um amigo vai dar uma festa, mas você não concorda com o horário ou local, nada de errado em dizer “não vai por tal motivo”!

5- Caso seu filho apareça em casa com atitudes estranhas, machucado, com roupas rasgadas ou sujas além do limite, não descanse até descobrir o que realmente aconteceu! Ouça a versão dele e pesquise para saber a verdade. Muitas vezes os pais têm receio de pegar o filho em uma mentira e acabam deixando que o emaranhado de problemas se torne tão grande que o próprio jovem não sabe como sair da situação depois. Tente enxergar quem realmente ele é neste momento e aí sim, ofereça ajuda para a situação real, mostre-se disponível para ajudar a encontrar um novo caminho. Fugir da realidade para evitar sua própria frustração só vai agravar o problema que vocês terão que resolver depois!

6- Não importa a idade que seu filho tenha, mantenha sua atenção e participação nos trabalhos escolares. Incentive a pesquisa em diferentes fontes. Envolva-se com os assuntos relacionados ao que ele está estudando na escola, fazendo perguntas, comentários e sugestões para os trabalhos. Em diversos momentos na série 13 Reasons Why os pais perdem a chance de ajudar ou descobrir o problema que os filhos estão enfrentando por não se envolverem quando a respostas dos filhos é “estamos fazendo um trabalho de escola juntos.” 

7- Converse com seu filho sobre assuntos polêmicos, aceitando e ouvindo a opinião dele. Lembre-se que seu objetivo é conhecer  a opinião e ponto de vista que ele tem e não fazer com que mude de opinião durante a conversa. Caso perceba que ele tem opinião contrária aos valores que sua família deseja ensinar, mostre seu ponto de vista, cuidando para não criar uma barreira grande demais entre vocês. Pior do que ele ter uma opinião diferente da sua é você não saber disso e não acompanhar de perto como suas ideias afetam a vida pessoal e dos amigos.

8- Envolva seu filho adolescente nos assuntos relacionados ao trabalho ou negócios da família. Peça ajuda, converse sobre dificuldades financeiras, não esconda cenários negativos. Poder participar, acompanhar e ajudar com opiniões ou mesmo com trabalho só traz benefícios e ajuda no amadurecimento dos filhos. Evitar que o filho adolescente participe só prejudica as relações dentro de casa. Além disso, gera insegurança e baixa auto estima, já que o adolescente acaba por concluir, ainda que de forma inconsciente, que a família não acha que ele tem capacidade para colaborar. 

9- Não pergunte para seu filho se está tudo bem quando quiser de fato saber como ele está. A resposta será sempre “sim”, mesmo que ele esteja passando sufoco ou envolvido em confusões. Ao invés disso, envolva seu filho em atividades que possam fazer juntos. Peça ajuda para fazer compras no supermercado, lavar o carro, arrumar um armário. Enquanto fazem juntos a atividade, converse sobre angústias que você tem, conte situações que passou na sua juventude e escute muito, sem julgar quando ele se abrir. 

10- Atenção aos sinais que seu filho emite tentando chamar sua atenção, sem no entanto ser tão claro como você gostaria. Sim, você vai precisar vencer o desafio que é conseguir que seu filho se aproxime, converse, sinta-se necessário. Dizer para o filho que ele pode contar com você é pouco. É preciso ser capaz de “arrancar” dele, de forma estratégica e sutil, conversas sobre sentimentos, angústias, frustrações. Dois exemplos marcantes disso na série estão no episódio 9. Aos 11:00 minutos, quando Hanna chega com o cabelo cortado e os pais estão ocupados demais discutindo a situação financeira da empresa e aos 30:30m, quando ela fala sobre seus pais com o amigo Clay “eles simplesmente não me enxergam, eles não percebem que eu os enxergo”. 

11- Mesmo que limitando o número de convidados, incentive seus filhos a levarem amigos na sua casa em momentos que vocês, pais ou responsáveis estejam presentes. Faça o que for preciso para criar um ambiente agradável, em que todos possam sentir-se à vontade e acolhidos. São oportunidades excelentes para conhecer os amigos, observar, ainda que a certa distância, como se relacionam, que tipo de atitudes têm uns com os outros e como seu filho se envolve com os colegas. No caso da série, todas as festas eram em casas onde os pais não estavam. E muitos dos problemas mais marcantes ocorreram por falta de adultos que pudessem dar o suporte necessário para que limites fossem estabelecidos até mesmo pelos próprios adolescentes.

12- Espione de vez em quando. Caso suspeite que há algo errado e se as pistas estão gritando na sua frente, não as ignore. Dar uma olhada nas postagens do seu filho, oferecer ajuda em trabalhos de escola e pedir para ler ou ouvir o conteúdo para poder ajudar são excelentes maneiras para ficar inteirado do que se passa. A caixa de fitas e a fita que estava sendo ouvida ficaram expostas por várias vezes e mesmo a mãe responsável por defender a escola em momento algum se interessou em ouvir o que o filho levava consigo por tanto tempo. Sim, se algo parece errado, e algo grave ocorreu com uma amiga do seu filho, é um enorme sinal de alerta. Você pode e deve invadir a privacidade de seu filho!

13- O cérebro do adolescente e do jovem ainda está em formação e o tsunami de mudanças hormonais que ocorrem nesta fase da vida acaba por impactar ainda mais a intensidade das emoções vivenciadas no dia a dia. Há estudos que comprovam uma enorme sensação de bem estar e recompensa que toma conta  dos jovens quando eles percebem que estão impressionando seus colegas. Por outro lado, a sensação de perigo e avaliação de risco é deficiente nessa mesma fase da vida. A dica é oferecer a seu filho oportunidades de sentir-se bem consigo mesmo, descobrir e desenvolver talentos como música, esportes ou serviços comunitários. Além disso, é melhor que ele possa suprir sua necessidade de “estar em perigo” de forma minimamente controlada. Esportes radicais, atividades simples que pareçam perigosas, mas que podem ser pura aventura nessa faixa etária devem fazer parte de alguns momentos, de forma que seu filho não vá procurar a recompensa e o perigo em jogos, brincadeiras ou inspirações disponíveis online em qualquer local, a todo momento.

Dica bônus:

14- Deixei por último a dica mais importante, embora possa ser a mais difícil de colocar em prática pelos pais. Considere seriamente a hipótese de que seu filho possa estar fazendo bullying com algum colega! Isso pode ser a salvação não somente da vida de um outro jovem, mas do seu próprio filho! Todos os pais de jovens que são os autores de bullying se recusam a considerar essa possibilidade. E assim ficam cegos para sinais que estão ali, bem à frente.  Um jovem autor de bullying precisa de ajuda para melhorar a auto estima, desenvolver empatia e crescer emocionalmente tanto quanto aqueles que são as vítimas. Não superproteja seu filho ao ponto de torná-lo incapaz de encontrar caminhos e relacionamentos positivos, que o farão feliz. Prefira se decepcionar enquanto há tempo de agir. Lembre-se de que você pode salvar a vida de seu filho e de muitos outros jovens, criando um filho emocionalmente saudável! 

Para contratar palestra sobre o tema: contato@brainbento.com.br

13 dicas para manter filhos imunes aos “13 Porquês” e à “Baleia Azul” 

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